terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Desnorteio de mim

Às vezes acho que não vou suportar esses trovões dentro de mim
que me atormentam
Me pergunto o que será que fiz, o que será que faço?
me estranho novamente
parece que me prendi numa couraça
me estranho
não sei o que vêem em mim
porque me odeiam
o que foi que eu fiz?
não entendo onde foi que errei
se sou péssima ou ruim
se estou enganada de mim
o que eu fiz?
não sei reeponder
Entro cada vez em mim
Será a vida sempre assim?
achei que estivesse bem, que estivesse bem assim
mas parece que nunca me satisfaço
o que será que faço, será que sou sempre ruim?
porque sou sempre recriminada, julgada, ridicularizada?
porque pensam isso de mim?
será que sou eu que faço assim?
pra o mundo me responder assim, de mau jeito...
jeito, que jeito?
em que jaula me prendi?
Em que ilusão estou e como sair?
Talvez a saída esteja bem aí...
mas, e aí?
Não vejo um palmo diante de mim.


E tudo mudou... de novo nesse bailar se fim
E nesse emaranhando de coisas, me procuro como se não soubesse mais que sou
Ou simplesmente quisesse me desfazer das máscaras, caras, dos supérfulos de mim
Dos espelhos da alma que já não me refletem
Dos eus que minha identidade não comporta mais, não suporta
Mergulho fundo nos meus desejos e me deixo voar, molhar
Me perco em mim e me encontro em ti, talvez...
Coisa estranha...
Mas pra que explicações? basta apenas sentir e os sentidos não costumam mentir
É certo.
Mais certo ainda o que vem de mim
Gosto desse desejo
Quero renascer, de novo, que seja!
Penso em ti, me surpreendo, não sei porque, não entendo
Será passageiro? pra quê explicações?
Penso em ti...
Temo, penso que não dá, talvez...
Desejo, coisa estranha
Às vezes doçura, às vezes manha
Às vezes arranha
Às vezes tão perto, mas tão longe
Aquela sua frase não me sai da cabeça
Você parece tão... mas... será que...
Não sei se é real.

(Escrito encontrado de 2013)